“Não faço aqui nada, vou embora”: as palavras que ditaram a saída de Cristiano Ronaldo da selecção

“Não faço aqui nada, vou embora”: as palavras que ditaram a saída de Cristiano Ronaldo da selecção

Havia tensão acumulada. Havia reuniões. Um presidente da federação atravessou a Europa de avião para apagar um incêndio. Contudo, foi numa frase de Jorge Jesus, numa conferência de imprensa em Copenhaga, que tudo explodiu.

“É o Gonçalo Ramos que vai jogar.” Seis palavras. Foi o suficiente para Cristiano Ronaldo se levantar, atirar “não faço aqui nada, vou embora” e, horas depois, embarcar no seu avião particular rumo a Madrid. Dali, seguiu para Riade, onde na segunda-feira já estava a treinar com o Al Nassr.

O rastilho acendeu-se em Oslo

A história começa a 27 de Setembro, no Ullevaal Stadion. Portugal venceu a Noruega por 2-1 e Gonçalo Ramos foi titular, marcando o golo decisivo. Ronaldo ficou no banco. Até aí, nada de inesperado.

O problema foi o que aconteceu durante o jogo. Jorge Jesus mandou Ronaldo aquecer e, durante 37 minutos, o jogador de 41 anos correu na linha lateral, preparou-se e esperou. A entrada nunca chegou. Consequentemente, Ronaldo transmitiu o seu desagrado ao seleccionador em reuniões que envolveram também o director desportivo do Al Nassr, o português Simão Coutinho. Jesus reconheceu que prolongar os exercícios de aquecimento foi um erro. Contudo, nunca pediu desculpa.

Pedro Proença voa até Copenhaga sem resultado

Face ao mal-estar que começou a transpirar para a imprensa, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, viajou até Copenhaga para mediar o conflito. Os esforços não surtiram efeito. Adicionalmente, o ambiente entre Ronaldo e Jesus mantinha-se gelado quando chegou a véspera do jogo com a Dinamarca.

Na conferência de imprensa de antevisão, um jornalista fez a pergunta óbvia: quem joga de início? Jesus foi directo. “Hoje vou treinar. Se tudo acontecer normalmente, é o Gonçalo Ramos que vai jogar.” Ronaldo estava a assistir. Levantou-se, disse o que disse e saiu. Portugal venceu a Dinamarca por 4-2 sem ele.

Jesus abre a porta, mas Ronaldo mantém-a fechada

No domingo passado, após a vitória sobre a Noruega no Dragão por 2-1, Jorge Jesus deixou a porta entreaberta. “Para mim, o Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável, se ele quiser regressar à seleção”, afirmou. Nesse sentido, Proença foi na mesma direcção. “Cristiano Ronaldo representa o maior símbolo de portugalidade. Fará sempre parte deste grupo de trabalho, sempre que estiver tecnicamente capaz”, disse o presidente da FPF.

Apesar disso, segundo o jornal O Jogo, não está prevista qualquer reunião entre as três partes. Ronaldo deixou claro desde o primeiro momento que a sua decisão é irreversível. Por enquanto, portanto, a porta continua fechada.

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